Wednesday, May 31, 2006

Haibun da Minha Rua

© Nathan de Castro


Às vezes vou lá fora brincar de realidade.
Parece-me que nunca sou bem recebido
quando atravesso os limites da minha rua.

Tem festa no mato,
tiziu, feliz, bate as asas –
convite aos amigos.

Esta já se acostumou com meus passos distraídos e com os olhos
à procura de um novo verso escondido no mato das calçadas,

No mato florido,
passarim de coleira
canta a liberdade.

nos terrenos baldios ao lado ou no bosque em frente.

Cachos de mamona
no terreno baldio –
lembranças de guerras
.

O ipê-amarelo,
exibindo um broto verde,
renasce das cinzas.

Sempre aparece um verso perdido por aqui.
As árvores do bosque em frente, também, pingam haicais...

Ninho abandonado
na sibipiruna em flor -
pardal tomou posse.

No alto da colina,
a árvore de folhas novas
tem casa de João-de-barro.


Enquanto isso, descendo a ladeira...

Cão vira-lata
com a língua de fora –
tarde ensolarada.

6 Comments:

Anonymous Fernanda Guimarães said...

Nathan,
Há tempos que te acompanho...e a fragrãncia da tua poesia permanece com o frescor próprio do alvorecer.
É muito prazeroso deixar o meu olhar em teus versos!
beijos

May 31, 2006 2:49 PM  
Anonymous Anonymous said...

Oi amigo!

Como sempre: talento por aqui é o que não falta. Sempre boa poesia e muita sensibilidade neste coração mineiro.

Naldo

May 31, 2006 7:21 PM  
Blogger lisieux said...

Fã não precisa comentar... porque vc já sabe que adoro tudo o que vc faz. Muito bom ler vc!
Bjokas
lis

June 01, 2006 1:01 AM  
Anonymous Dáguima Verônica said...

Nathan, esse soneto me arranca do hoje e me leva às raízes, por isso é o que mais me toca, aliás me arrasta com sua potência. Isso prova que você escreve com a alma!

June 02, 2006 6:50 PM  
Anonymous Izabel T. da Rosa said...

Nathan, seus versos são como o pôr-do-sol: milagroso e natural ao mesmo tempo.
Está tudo lindo demais!
Beijos!

June 21, 2006 5:10 PM  
Anonymous Sônia Prazeres said...

Nathan
Vou dizer que andar por aqui é como resgatar essa natureza onde encontras teus versos. Eu, de um univeso tão friamente urbano, respiro o mato florido, os cachos de mamona e os passarinhos no ipê amarelo que embeleza, a despeito de tanta cidade. Delícia andar por aqui... Obrigada por estes presentes.
Abraço grande
Sônia Prazeres

November 29, 2006 12:01 PM  

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