Thursday, June 08, 2006

Sede de Voar

© Nathan de Castro


A minha sede de voar vem de muitos pássaros.
Quando criança, saltei de cima da caixa d’água
com um guarda-chuva. Algumas escoriações
e a certeza de que nunca seria um pára-quedista.
Aprendi a voar no encanto das páginas dos livros.
Visitei mundos desconhecidos, cidades submersas,
planetas habitados por plantas carnívoras

e guerreiros gigantes.
Queria mais. Queria voar com asas de condor.
Na juventude, descobri o medo das alturas após
a primeira e última aventura num mono-motor...
Certo dia eu me encontrei voando ao encontro do
desconhecido mundo das palavras.
O batismo veio com a água da paixão, mas o destino
me havia reservado outras missões.
Por séculos e séculos vaguei perdido e colecionando
penas para cumprir o vôo da sobrevivência.
Já próximo ao fim da jornada, me deparei com a poesia.
Aquela, a mesma da criança que saltava de cima da
caixa d’água com um guarda-chuva.
Como era simples voar!
Hoje, as escoriações são mais profundas e todos
os planetas são habitados por palavras de saudades.
Um canto de paixão brota de cada poro dos poemas.
Eu, canto.

2 Comments:

Anonymous Ana Carla said...

Oiee, Nathan!
"Sede de Voar"...gostei!!!
[b]
escoriações,
saudades,
ahhh este seu poeta!!!

beijo

June 10, 2006 4:58 AM  
Anonymous Anonymous said...

Parabéns caro poeta! Obrigada por nos preseter com a beleza dos seus versos.Um abraço,Ana

June 10, 2006 5:26 PM  

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