Monday, June 19, 2006

Versos Tortos IV

© Nathan de Castro


Tudo parece mistério nas mãos de quem se acostumou
aos versos politicamente corretos.
Ah! Essa coisa estúpida de morrer em paz com os decassílabos!
De paixão é bom morrer de todas as formas.
Não vejo simetria no rosto da senhora Morte.
Vejo apenas palavras não cumpridas.
Momentos não carpidos.
Pensamentos espalhados sobre a relva verde.
Liberdade nada tem a ver com formas.
Liberdade é o incenso de outono iludindo o olfato do inverno
que insiste em se instalar nas letras das canções,
as quais insisto em despejar sobre o mato
em torno dos meus sonhos.

Mistério de pássaros sombrios.
_A morte é tão real como real o céu da solidão
que invade os meus poemas,
metrificados ou não.
Tudo dói de estrela quando a palavra salta
de dentro para fora.

1 Comments:

Anonymous Álvaro said...

Vejo a Morte abraçar-te na geometria do Medo,
Congruência na urze de teu sonho espantalho.
Grita pelo carcereiro das formas que te prendem,
Grita espantalho, grita! Mais alto!
Quem sabe querubins a menearem um turíbulo exalaDor
te livrem dessas agonias veladas sombras.
Perto, os pássaros feios versos medidos: --As Gralhas.
As gralhas não , carcereiro!
Os pássaros sombrios não...não...
—Irreal tombou sob o céu invernoso e solitário.

June 19, 2006 8:03 AM  

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