Monday, June 15, 2009

Prisioneiro da Paixão

© Nathan de Castro


Eu tenho medo.
Medo do norte,do sul, da sorte, do azar, das lágrimas,
dos risos, dos vícios, dos porres...
Medo de avião, medo das estradas,
das curvas da vida, e da morte.
Tenho medo das ruas, da mulher nua
que acena um sorriso na televisão.
Tenho medo das paixões, das canções
que dizem tudo e das que dizem nada.
Tenho medo do escuro, do futuro e das palavras
lançadas ao vento.
Tenho medo da poesia que invade os meus dias
e me deixa, assim, com cara de medo.
Tenho medo dos poemas com temas rebuscados,
dos versos de asfalto e concreto.
Tenho medo do errado e do certo.
As noite de lua cheia me ditam saudades
e o medo das paixões inventadas, pequenas,
invadem as minhas madrugadas.
Tenho medo das madrugadas, mas elas me alimentam
e acenam os caminhos dos versos.
Tenho medo do tesão que me acende a alvorada,
mas gosto de beijar a primeira luz do dia.
Tenho medo do sete, do oito, do nove...
O meu número é soneto
mas, vez por outra, gosto dos esqueletos
de uns versos tortos.
Os quatorze me comovem, mas não abro mão
dos delírios.
Vez por outra, busco o medo e abraço a solidão
de uns versos livres, como eu.
Eu, prisioneiro da paixão.

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