Soneto Urgente

© Nathan de Castro
Fazem-se urgentes, o abraço de acalmar a alma,
o travesseiro e o ombro amigo do melhor
amigo. No poema, o amor sem dor ou trauma,
para que o verso aprenda a paz em sol maior.
Fazem-se urgentes, a música dos olhos dela,
a cotovia e o beijo surdo do silêncio
amigo. No poema, a voz que canta a estrela,
no imprescindível chão da flor de amor do Cântico
dos Cânticos. Faz-se urgente a lua cheia,
carpindo os espinheiros de palavras tortas
e, independente, da poesia sempre alheia,
faz-se urgente abrir de vez minhas comportas.
Tanto me falta, tudo é urgente, e volta e meia,
esqueço que a vontade é a chave dessas portas.